Causos

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Zé Vicente e a onça pintada



Zé Vicente, contador de vantagens, era um homem muito rico, apostava em tudo quanto é coisa. Até quem bebia mais leite no curral. Tinha um cavalo de raça só para passear com o peitoral todo de prata. Metido à caçador vivia lá pras bandas da Fazenda do Coito. Toda sexta-feira saia para caçar tatus ou roubar milho verde pra fazer pamonha. O dono da fazenda estava pagando dez mil cruzeiros pra quem conseguisse pegar uma onça que estava comendo os bezerros.

Zé Vicente morria de medo da pintada, mas como gostava do cobre, logo se ofereceu pro serviço. Certa vez, numa dessas caçadas deu de cara com a onça. O veio pipocou e a onça atrás. O fazendeiro lá da porteira viu Zé Vicente correndo. Quando a onça deu o bote, ele passou debaixo da cerca e caiu nos pés do fazendeiro. A onça voou por cima e bateu no mourão da porteira. O Zé gritou todo maludo:

- Segura essa ai Gumercindo, que eu já to indo busca a outra! E assim pipocou cerrado afora.

O Causo do Zé da Roça e as moscas.
Por Lázaro Mariano


Num desses dias de Projeto Quintais quando o público era menor, a gente fazia um caldo de mandioca, mocotó ou feijão para servir aos visitantes. Um de nossos colaboradores, o artista Baiotto, foi até à cozinha da FUNARBE – Fundação Artístico Cultural de Betim para pegar o caldo com a Dona Baiana, uma cozinheira espetacular. 

Pegou a panela de caldo e colocou no  carro, um Siena-Fiat, que por sinal tem um porta mala enorme. Mesmo assim não acomodou a panela imensa de caldo. Baiotto rumou-se à Casa da Cultura com a panela de caldo e o porta malas aberto. Baiana ainda gritava no portão:

- Não vá deixar isso escorrer pelo carro.

Baiotto já não ouvia mais e engatou uma segunda marcha e foi depressa, pois tinha compromisso inadiável em Belo Horizonte. 

O pessoal que trabalhava na Casa da Cultura alimentava uma vira-latas por nome Pretinha (nome dado por eles mesmos).Quando Baiotto chegou à Casa da Cultura, a cadela começou a rondar o carro. De repente quando foi tirar aquele panelão de dentro do carro viu que tinha derramado quase a metade do caldo de feijão dentro do porta malas.

A mistura no feijão no carpete do carro não dava um cheiro muito agradável. Baiotto ficou apavorado e queria mais que depressa limpar aquela bagunça toda. Pensou em todas as formas, arrancou o carpete do carro e ficou matutando. Foi quando teve a idéia de pegar a cadela e colocá-la dentro do carro pra ver se “dava uma mão”. A cadela rosnava para o lado dele e não queria entrar dentro do carro de jeito nenhum, quando ele conseguiu pegá-la foi levando-a para o lado do porta malas... Mas, quem disse? 

A cadela cravou as unhas na borracha do porta malas do carro e nem quis saber de caldo de feijão. Baiotto ficou nessa luta até que eu cheguei para coordenar o Projeto Quintais:

- O que foi isso menino?

Ele disse:

- Olha aí para ver Mariano!

Baitto tentou de tudo, até pegou um pano na cozinha da Casa da Cultura. Não se sabia se era o cheiro do pano ou do feijão! E o carro foi virando aquela “lambreca”.

De repente o rapaz chegou pra mim e disse:

- Tenho que ir embora, vou deixar esse carro aberto até amanhã seca. Eram 19 horas mais ou menos. E Baiotto foi para Belo Horizonte. Terminamos o Projeto por volta de 23 horas da noite e o carro lá no sereno com o porta malas aberto.

Nós que coordenamos o projeto temos uma parceria com o “Viola Brasil”, Programa do Violeiro Chico Lobo pela TV Horizonte. Lembrei que dois dias depois precisava do carro para levar os violeiros para televisão. Fui procurar o motorista e não o vi no Projeto Quintais. Não sei o que aconteceu, porque ninguém falou do carro mais. O motorista estava andando normalmente com o porta malas fechado e não reclamou de nada.

Chegamos no dia marcado na Casa da Cultura às 8 horas da manhã, como disse antes tinha passado 2 dias do “derrame”.

Quando entramos no carro os violeiros foram logo olhando uns para os outros, uns ficando vermelhos e ninguém nem comentava da “carniça”.

Chegamos à TV Horizonte e o motorista deixou esse carro no sol pra ver se acabava um pouco aquele mal cheiro e calado sem saber o que tinha acontecido.

Entramos e fomos muito bem recebidos pelo Violeiro Chico Lobo e sua equipe. Foi uma excelente apresentação.

Na hora de ir embora começa o sacrifício, além da “carniça” ainda tinha uma nuvem de mosquitos que não deixava ninguém sossegado. A dupla que se apresentou se chama “Zé da Roça e Zé Ventura”. Zé ventura é mais calado, mas o Zé da Roça não deixa passar nada:

- Mas que diabo de carniça e mosquitada danada é essa gente! O povo envergonhado com aquilo tudo e foi aí que comentei do caldo.

O motorista também muito incomodado com os mosquitos disse:

- Pode ficar tranquilo Zé da Roça que eu acabo com esses mosquitos é agora.

Nesse momento imprimiu uma quinta e mandou quase 180 Km por hora naquele carrinho velho. Houve um sossego por um tempo e todo mundo calado, quando de repente Zé da Roça solta essa:

- Vardemaru, cê podi inté i mais divagazim, os mosquito num saiu não. Vortô tudo, ês tava é tudo pregado lá atrás!


Zé da Roça e as Moscas em vídeo para o Festival Voa Viola - 2ª Versão

Causo da assombração jogando truco

Dona Aparecida - Araúna/Salinas - Guapé no sul de Minas Gerais conta a história da assombração para seu neto. Ela afirma ter visto na comunidade de Água Limpa em Piumhi MG.Curtam.




O Causo do Bicho da Zagaia

Contado por Dona Aparecida Maria Alves, nascida em Guapé no sul de Minas, na comunidade de Salinas em 1933. Hoje mora em Piumhi MG - Centro Oeste Mineiro

O CAUSO DO ARROTO
Lázaro Mariano

Ceabe a algumas décadas em Betim.
Uma que ouvi hoje de minha secretária. Dias desses, assim que terminou o trabalho, ela estava descendo com sua colega de igreja lá pras bandas do mercado velho da cidade de Betim que ainda resiste ao tempo e ao nome de Ceabe. 

Este lugar de encontro de pessoas de múltiplas culturas, dentre elas uma velha que faz o ponto num local como pedinte. Esta, entrega um papel plastificado como se fosse muda, com os seguintes dizeres: “ Estou sem dinheiro, preciso de ajuda e ainda não aposentei, o que puder dar Deus de dará em troco”.
A secretária vira pra amiga e diz: “Não tenho trocado aqui você tem?"
A outra que é da mesma igreja e acostumada a praticar a solidariedade, mais que depressa revista sua bolsa, separa o dinheiro do ônibus e entrega 25 centavos para a velha. Esta então olha a moeda, olha para cara da moça, olha pra moeda, novamente para cara da moça e solta um enorme arroto...
A moça leva tanto susto que quase cai pra trás e logo disse para a secretária:
- Será que se eu desse 50 centavos ela iria peidar? Essa menina não parava de rir, quando entrou no ônibus o povo perguntou se ela “tinha achado o ninho da égua”.

Aí que a situação ficou mais engraçada ainda... E caíram as duas na gargalhada!



Hoje é o Mercado Central de Betim e um dos pontos turísticos da cidade.


O PROFESSOR FEIO
Lázaro Mariano




Um colega professor amigo meu contou a seguinte situação que acontecera com ele em uma das escolas que trabalha:

Estava passando por duas alunas "feiinhas" na hora do recreio. As meninas de 11 anos mais ou menos, ainda muito novinhas, estavam naquele canto curtindo o momento delas. O professor ficou incomodado com o "isolamento das alunas" e disse:

- Nossa que gracinha vocês são. Vocês gostam de estudar nessa escola? Por que não se juntam com o restante das crianças no recreio?

Uma das meninas logo disse:
- Professor esquisito.

E a outra mais que depressa:
- E você viu o tanto que ele é feio!



O CAUSO DO TATU
Marciano Teixeira com adaptação de Lázaro Mariano


Este fato se deu na Fazenda Baú a 50 km de Piumhi na  propriedade de Ludgero, conhecido como Mãozinho  onde  a turma  de  trabalhadores  primos    e  amigos  faziam  um  trabalho  de  encher silos com milhos  cortados  nas  ladeiras,  com  foices,    enxadas e  puxados  de  caminhão, carroças  e carretões  de  bois   e  levado  pra  beira  de  uns  buracos  redondos    de  6  por 6 metros.

Era o que usava naquela época. Depois isso tudo era moído num motorzinho estacionário, a óleo diesel até as madrugadas.

Tinha um primo meu que trabalhava com a gente, que tomava uns golinhos avultados.   Num dia daqueles nos deitamos pra tirar um cochilo às três e meia da manhã. Estava lá na peleja pra dormir quando os cachorros acuaram na beira do  corguinho.
É tatu, disse o rapaz já caindo pelas tabelas. Nesse momento já      saiu correndo pra beira do córrego às 4 horas da manhã gritando:

- Cerca no rasinho cerca no rasinho... Ai caiu dentro do córrego se molhou todo e veio com o tatu na mão.

Um amigo por apelido Tinga disse:

- Vou matar, vou matar e pegou um facão do tamanho de uma semana e foi traçar o tatu galinha e gritou:

- Liga o gás!

O tatu mais que depressa espirrou de sua mão e foi bater lá no corguinho novamente.

Dizem que é porque antigamente, o pessoal caçava tatu enfiando a mão no buraco e puxando o bicho pelo rabo. Depois, passaram a injetar gás de cozinha, e o bicho saltava fora. Ficaram tanto tempo usando este modo, que agora quanto grita gás, o tatu já sai correndo.

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