domingo, 16 de julho de 2017

A TRAGETÓRIA DE MILIONÁRIO E JOSÉ RICO

A TRAGETÓRIA DE MILIONÁRIO E JOSÉ RICO

Fonte – Top Rodeio Comunidades.

A história vitoriosa de Milionário & José Rico, “As Gargantas de Ouro do Brasil”, considerada como a dupla que implantou um novo estilo de música sertaneja no país, incentivando duplas como Chitãozinho & Xororó, Matogrosso & Mathias, César & Paulinho, Leandro & Leonardo, João Mineiro & Marciano e outros a acompanhar a evolução musical, conquistando cada dia mais fãs em todo o Brasil.

No entanto, muitos desses fãs não imaginam que foi justamente em Dourados, Mato Grosso unificado, e distante 926 quilômetros de Cuiabá, que a dupla deu o pontapé inicial à sua carreira. Numa época em que todos falam de músicos sertanejos do Estado que conquistaram fãs pelo mundo, como Michel Teló e Luan Santana, ambos de Mato Grosso do Sul, antes da divisão do Estado, Mato Grosso gaba–se de ter apresentado para o Brasil talentos com o sucesso na música sertaneja como Délio & Delinha, Altevir & Adriano, além dos compositores Zacharias Mourão e o delegado de polícia, Fábio da Silveira e Brazão & Brazãozinho, que criou raízes na capital e Várzea Grande.                            

Na atualidade, Jad & Jadson, Montenegro & Boiadeiro, Dois à Um, Brenno Reis & Marco Viola, e João Carreiro & Capataz com músicas nas trilhas sonoras das novelas da Rede Globo, fizeram o maior sucesso. O sucesso do Estado no gênero é muito mais antigo, e duplas como Leide & Laura, Cacique & Pagé, e ainda Pescuma, Henrique & Claudinho levam bem longe o nome de Mato Grosso para o Brasil.  A história do início da carreira de Milionário e José Rico conta com depoimentos de pessoas que ajudaram os músicos no início da trajetória musical.

O início - José Alves dos Santos, o José Rico, chegou à Dourados no final dos anos 60, sozinho, sem dinheiro, numa pindaíba danada, mas, conforme a história, tinha um enorme talento.

Agradável e bom papo, logo fez amigos, como João Armando Perrupato, radialista e compositor que possuía uma barbearia na avenida Marcelino Pires, em frente ao antigo Bar Pinguim. José Rico passou a fazer vários “bicos” pela cidade, e para se sustentar, chegou a varrer o chão da barbearia de Perrupato. Conforme os relatos de moradores à  repórter Larissa Almeida, da Revista Poronduba, ele sempre andava pela cidade com seu violão e todos gostavam muito de ouvi-lo cantar e tocar. O radialista Gilberto Orlando, que conheceu José Rico enquanto o músico morava na cidade, conta que o cantor se apresentava na rádio onde ele tinha programa. “Ele sempre frequentava a rádio. Nós jogávamos bola no time de futebol da Rádio Clube de Dourados e ele se apresentou algumas vezes no programa que eu fazia. Em Terra Rica (PR), conforme o empresário Maurílio, proprietário da Eletrônica na Miguel Leite, em Várzea Grande, amigo do Zé Rico na cidade paranaense, na adolescência, o famoso cantor era conhecido por Zezinho “Boi Cego”.

Primeiro Trio - Com amigos músicos foi criado o trio Carapó, Cambay e Andrezinho. O trio gravou um disco, mais Andrezinho sanfoneiro e Carapó não quiseram ir para São Paulo, e apenas o Cambay, que era o José Rico resolveu aventurar, isso no início dos anos 70. Encontrou o Milionário, e com os nomes Tubarão & José Rico formaram a primeira dupla. Carapó, compositor e segunda voz do trio, é pai do publicitário Wilson Santos, conhecido em Cuiabá e Várzea Grande pelos trabalhos realizados nos departamentos comerciais das rádios Antena FM, Cuiabana FM, Industrial - AM e Difusora Bom Jesus de Cuiabá.

Carapó (segunda voz), Cambay (José Rico - Segunda Voz e declamações) e Andrezinho (Sanfoneiro)
É curioso a posição do sanfoneiro no LP.
Ao acabar o trio, José Rico formou outras duplas até encontrar Milionário e Carapó continou com a dupla Carapó e Cambay.

Carapó com o novo Cambay
Na contracapa do primeiro disco de Milionário e José Rico, a foto e uma dedicatória de Perrupato, já prevendo o sucesso da dupla: “A riqueza pode ser reconhecida nas mais diversas formas. Milionário e José Rico são ricos em talento, motivo pelo qual, dentro de algum tempo, não lhes faltará riqueza de nenhuma espécie”.

Recordações - O tipógrafo Mário Perrupato, filho de João Armando, se emocionou ao relembrar a história dos músicos na cidade. Ele conta que é uma história muito bonita e que pouca gente conhece. Mário guarda diversas recordações da época, inclusive cópias do primeiro LP da dupla e diversas fotos. “José Rico tinha 20 e poucos anos quando chegou aqui e meu pai acolheu ele. Chegou sozinho e precisando trabalhar. Da última vez que eles vieram fazer show aqui, eu fui até o hotel em que eles estavam e fui para o show com eles. Até me convidaram para subir no palco, mas eu não fui porque sou caipira”.

Direitos autorais - Dona Marta Perrupato, de 87 anos, mulher do falecido João Armando, conta que ainda recebe R$ 50 por mês pelos direitos autorais das composições do marido cantadas pela dupla: “Eles tinham talento, todo mundo gostava. Se eles quiserem vir aqui em casa, vou tratar muito bem. Eles ainda voltaram algumas vezes para nos visitar depois que fizeram sucesso, mas depois que meu marido morreu, nunca mais os vi”.

Berço - Depois que a dupla gravou o primeiro LP, contou com a ajuda de Perrupato e Salvador Pinheiro para se apresentar em circos pequenos, o que naquela época estava no auge. Perrupato inclusive comprou um circo para que a dupla pudesse cantar. Logo começaram a percorrer o Estado e o país se apresentando em circos. Consta a história que o falecido Cumpadre Crispím e o aposentado Nhô Boró, foram os primeiros a receber os músicos na capital Cuiabá, isso no início dos anos 70. Nos anos 80, entrevistado pelo comunicador Pulula da Silva do programa “Sertanejo Bom Demais”, na Rádio Industrial – Bandeirantes de Várzea Grande, José Rico disse que” Mato Grosso é o meu berço na musicalidade, e além de negócios por aqui, tenho carinho e um afeto muito grande por esse povo que me deu força no início da carreira”.

Empresário - O empresário sulista Gilberto Orlando recorda que muitos cantores sertanejos vinham à época se apresentar em Mato Grosso. “Aqui era o lugar. Tinha muito circo pequeno, para duas mil pessoas. Vinha muita gente de São Paulo para cá. O Salvador Pinheiro era um empresário importantíssimo da época, inclusive Milionário e José Rico ficavam na casa dele quando vinham para cá. O Pinheiro empresariava também o Zilo e Zalo, Lio e Léo, Zé Fortuna e Pitangueira, Tião Carreiro e Pardinho e muitos outros”, relembra.

Inquilino famoso - A mulher de Salvador Pinheiro, dona Chinita Pinheiro, conta com emoção que José Rico morava nos fundos de sua casa. “Ele é como um filho para mim, sempre que vem fazer show na cidade, vem me visitar”. No entanto, dona Chinita não guarda nenhum retrato nem disco da época, porque sua religião evangélica não permite. “Eu tive que me desfazer das várias caixas”.
Estilo musical - Em 1970, pela gravadora Califórnia, gravaram o primeiro disco que muitos dizem ser o “Bolachão” matéria paga. Não tocou nem nas “paradas de ônibus”, e mesmo assim Milionário & José Rico não desanimaram e partiram em busca do sonho de fazer sucesso através da música sertaneja.

Primeiro LP independente.

Reprodução do LP independente pela Chantecler
O gosto e a simpatia do José Rico pelos mais variados estilos musicais foi determinante para o sucesso da dupla. Passou a utilizar em shows e gravações os estilos mexicano, gaúcho, paraguaio e a música cigana. Agradou em cheio, fazendo com q agenda estivesse sempre cheia, como acontece nos dias atuais. O uso de instrumentos como harpas, trompetes, e em especial, a acordeon, demonstraram esta miscigenação e riqueza musical. 

No primeiro disco gravado em 1973 pela Continental / Chantecler, considerada a maior do país no gênero, começou a fazer sucesso com o novo estilo, e modões, como diz o Zé Rico, como Inversão de Valores ( Prado Junior e João Armando Perrupato), De Longe Também Se Ama(José Rico e Jair Silva Cabral), Coração de Pedra ( Belmiro) e Paraná Querido(Paulinho Gama e Goiá) passaram a ser pedidas e executadas em várias partes do Brasil.          

No primeiro disco gravado em 1973 pela Continental / Chantecler
                         
Cidadão mato-grossense - A Assembleia Legislativa de Mato– Grosso no final dos anos 90 concedeu ao cantor sertanejo José Rico Alves dos Santos, através do deputado Amador Tut, o título de Cidadão Mato-grossense, e na justificativa, o parlamentar argumentou que a carreira de sucesso do artista iniciou em Mato Grosso. Disse também que José Rico, além de vários negócios no estado, em diversas canções suas cantada pelo povo brasileiro, em seus chavões, sempre incluía o nome de Mato Grosso, meu berço adorado.  O ex – vereador de Várzea Grande, João Batista, aposentado como Fiscal da Fazenda do Estado, é cumpadre de Milionário, inclusive, sendo seu amigo na adolescência. Batista mora na rua Salin Nadaf, e todas as vezes que a dupla vem fazer show em Cuiabá e Várzea Grande, vão pescar na Praia Grande, tomando umas cervejinhas no famoso Bar do Bartolo.

Na China - O filme “Estrada da Vida” conquistou o primeiro lugar no “Festival Internacional de Filmes de Brasília” e foi vendido para diversos países, inclusive a China, país em que foram convidados pelo próprio Governo a se apresentarem. A excursão para a China, que aconteceu em 1985, durou um mês, e a dupla mostrou sua música para o “outro lado do mundo”. Milionário e Jose Rico foi a primeira dupla brasileira que visitou esse país, mostrando a cultura brasileira através de uma música diferente.

Primeiro filme da dupla.
Carreira de sucesso - Milionário e José Rico já venderam mais de 60 milhões de exemplares de seus mais de 30 discos gravados desde 1973. Além disso, gravaram dois DVDs e dois filmes, “Estrada da Vida” e “Sonhei com Você”. Romeu Januário de Matos, o Milionário, nasceu em Monte Santo de Minas, em Minas Gerais, no dia 4 de janeiro de 1940. Trabalhou como pedreiro, garçom e pintor de parede. Começou a se interessar pela música ouvindo sua mãe cantar, sendo um autodidata, porque aprendeu a cantar e a tocar sozinho. Pai de cinco filhos, tem 8 netos e 15 bisnetos.

Segundo filme da dupla.
José Alves dos Santos, nascido em São José do Belmonte, Pernambuco, em 29 de junho de 1946, foi criado em Terra Rica, no Paraná, desde os dois anos de idade, por isso adotou o nome de José Rico, em alusão à cidade onde viveu. O apelido, que foi inventado por um padre ainda na infância, foi registrado em cartório anos mais tarde. É bom lembrar que no início dos anos 90, Milionário & José Rico gravaram uma música para o carnaval. Era a “Marcha do Zuummm”, e foi muito tocada nos bailes de Rei Momo.

Primeiro nome - A dupla, que se formou no início dos anos 70, se chamava inicialmente Tubarão e José Rico. Dizem que foi no programa de calouros de Silvio Santos, e em alusão ao “carnê milionário” Baú da Felicidade, que a dupla passou a se chamar Milionário e José Rico. Após anos de sucesso e depois de 20 LPs lançados, a dupla anunciou a separação, que durou três anos. “Aconteceu em 1991, e no último show na Acrimat, com a participação do Trio Parada Dura, o Zé Rico ao encerrar o show anunciou a separação e foi uma lamentação danada”, disse o mestre de obras e pedreiro Pedrão Almeida, fã de carteirinha da dupla. Almeida. Após tentarem carreira separados, onde não tiveram o sucesso almejado, se uniram de novo. Na época, separados, José Rico gravou dois LPs solo, e Milionário chegou a gravar um disco com Mathias, que tinha se separado de Matogrosso, e ainda com Robertinho, que tinha deixado o parceiro Léo Canhoto.

Estrada da vida - A música Estrada da Vida, responsável pelo embalo definitivo de Milionário & José Rico, surgiu em 1978, e é considerada como um dos hinos da música sertaneja do Brasil. Conforme José Rico, o modão foi criado após um show em Mineiros – GO, e na volta com destino a Uberlândia – MG, sentado no banco ao lado do motorista do ônibus, uma chuva fina o inspirou, e logo pegou uma caneta, um papel em branco, e iniciou a letra da música. Quando chegaram na cidade do Triângulo Mineiro, estava pronto a letra e melodia da música que é o carro chefe da dupla, inclusive com regravação por várias duplas sertanejas do país. Virou até filme, tornando – se sucesso de bilheterias nos cinemas de todo o Brasil.

LP que impulsionou a carreira de Milionário e José Rico
Tragédia - Em 08 de outubro de 2011, às 23h30min, na BR 285, o ônibus da dupla após um show em Ijui (RS) colidiu frontalmente com um carro, e o motorista Cícero Pereira, 29 anos, morreu durante a batida. O carro da vítima, um Del Rey, segundo os comentários, entrou na contramão, e foi inevitável o choque contra o ônibus. Pelo o que consta na história de Milionário & José Rico, essa foi a mais triste tragédia ocorrida com a dupla nas inúmeras viagens realizadas pelas estradas do Brasil. A dupla possui dois luxuosos ônibus para as viagens pelo Brasil. Um é especial para os cantores e família, e outro, também confortável, transportam a banda musical e os dançarinos, presença obrigatória em todos os shows.

Futebol & pecuária - Hoje, os dois pecuaristas e empresários, fazem justiça aos nomes Milionário & José Rico, pois souberam aplicar o que ganharam e ganham por meio do talento que Deus lhes deu.

Diz a história que antes da música José Rico chegou a atentar a carreira de jogador de futebol, atuando no 21 de Abril de Fátima do Sul, e já famoso, criou o José Rico Futebol Clube, que contava com ex-jogadores do passado, entre eles Modesto( Atlético Mineiro), Jorge Luiz Paulista de Jundiaí), Maciel e Ronaldo ( Corinthians Paulista), Marquinhos( São Paulo) e Botú Santo André e São José). Além das propriedades e gados adquiridos, José Rico ainda encontrou tempo para assumir como diretor de futebol do Esporte Clube Barbarense, da Segunda Divisão Paulista.


Nos anos 90 Milionário & José Rico gravaram a marcha carnavalesca " Marchinha do Zum"
Outras Gravações:


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